Guia dos Queijos e Laticínios na Dieta Low Carb

Pode comer queijo e outros laticínios na dieta low carb?

Essa é uma dúvida muito comum entre iniciantes nas dietas low carb ou cetogênica.

E a verdade é que, pensando em dietas com baixo teor de carboidratos, nem todos os laticínios devem ser classificados da mesma forma.

Além do mais, a resposta de cada organismo ao consumo de produtos lácteos é uma questão bem individual.

Hoje eu vou me aprofundar nos benefícios e malefícios dos laticínios, de modo a te ajudar a fazer melhores escolhas, sempre baseadas em informação de qualidade.

Este artigo foi escrito originalmente pela nutricionista Franziska Spritzler e pelo médico cardiologista Dr. Bret Scher.

A adaptação e a tradução foram feitos por Thais Vidal e Pedro Camargo.

O original, em inglês, você pode ler aqui.

Muitas pessoas se dão bem comendo grandes quantidades de queijos e iogurte, por exemplo.

Enquanto outras podem sentir diversos efeitos negativos advindos desse consumo, sendo melhor evitar tais alimentos.

O ponto é: alimentos obtidos a partir do leite se encaixam em uma estratégia low carb ou cetogênica?

Se essa é a sua dúvida, leia esse texto até o final, pois hoje falaremos sobre:

  • qual a composição nutricional dos principais produtos lácteos, como queijos, iogurtes e requeijões;
  • o espaço que eles deveriam ocupar em uma alimentação saudável;
  • porque algumas pessoas podem se beneficiar de excluí-los completamente da alimentação;
  • quais são os melhores queijos para incluir na sua dieta low carb;
  • e muito, muito mais.

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Pode comer queijo na dieta low carb?

Talvez seja por conta desta pergunta que você está aqui.

Então vamos direto ao ponto: de modo geral, existem muitas opções de queijos e laticínios que são baixas em carboidratos.

Nesse caso, eles poderiam fazer parte de um cardápio low carb de qualidade.

Alguns deles são:

  • queijos gordurosos no geral (parmesão, gorgonzola, brie, etc.)
  • iogurte natural integral;
  • iogurte de kefir;
  • requeijão e cream cheese;
  • nata e manteiga.

Mas o que são os laticínios?

Os laticínios são alimentos ou bebidas feitos a partir do leite de mamíferos.

Nos principais países do ocidente, incluindo o Brasil, os laticínios do leite de vaca são consumidos com muito mais frequência do que os outros tipos.

No entanto, em algumas culturas e países, os laticínios de cabra e ovelha também são muito populares.

O leite de vaca é um alimento composto por proteínas, gorduras e carboidratos.

Vamos falar de cada um desses macronutrientes no contexto do leite.

  1. Proteínas: as duas principais proteínas do leite são a caseína e o soro de leite, também conhecido por whey protein.

    Cerca de 80% da proteína do leite é caseína, e o restante é soro de leite.

  2. Gorduras: o leite contém principalmente gorduras do tipo saturadas.

    Mais precisamente, o perfil lipídico do leite é composto 70% por gorduras saturadas, 25% por gorduras monoinsaturadas, 2,5% por gorduras poliinsaturadas e 2,5% de gorduras trans.

  3. Carboidratos: a lactose é o tipo de carboidrato encontrado no leite.

    Em nosso trato digestivo, a lactose é dividida em dois açúcares simples, a galactose e a glicose. A glicose, então, entra na corrente sanguínea, elevando os níveis de açúcar no sangue.

Leite sem Lactose

Aqui vale uma observação sobre os leites sem lactose.

Conforme eu já expliquei neste outro artigo sobre leite e dieta low carb, o leite sem lactose continua sendo rico em carboidratos.

Nele, ao invés de lactose, nós encontramos a forma já dividida deste açúcar, ou seja, a glicose e a galactose.

Tanto o leite de vaca comum quanto o sem lactose contém quantidades parecidas de carboidratos: cerca de 10g a 12g por copo de 200ml.

O guia Visual dos Queijos e Laticínios

Os produtos lácteos obtidos a partir do leite incluem:

  • cremes como requeijão e cream cheese,
  • queijo,
  • manteiga e nata, e
  • iogurtes.

A quantidade de carboidratos desses produtos são diferentes de um para o outro.

A imagem abaixo mostra quantos gramas de carboidratos cada laticínio contém – como mostrado, esses números são para cada 100g de produto.

Quantidade de carboidratos presentes nos diferentes laticínios

E agora você pode estar se preocupando:

Por que alguns tipos de laticínios são ricos em carboidratos e outros não?

A quantidade de carboidratos varia de acordo com o modo como eles são feitos – pois isso influencia diretamente a quantidade de lactose restante no produto lácteo após a fabricação.

Em geral, aqueles laticínios que foram fermentados por bactérias têm menos carboidratos do que os laticínios não fermentados.

Por exemplo, ao fazer queijo, o leite é tratado com bactérias que fazem com que a lactose (açúcar) seja fermentada em ácido láctico. 

Esse processo consome a maioria dos carboidratos presentes originalmente no leite.

Além disso, o soro do leite resultante deste processo – que contém proteínas, água e lactose – é drenado, sobrando no queijo principalmente a caseína.

Da mesma forma, durante a produção de iogurtes, o leite é tratado com diferentes cepas de bactérias benéficas, que fermentam a maior parte da lactose.

Essa lactose mais uma vez é transformada em ácido láctico, que não é um carboidrato.

A quantidade de carboidratos que um iogurte contém é influenciada pelo tempo de fermentação pelo qual ele passa.

Quanto mais tempo fermentando, mais lactose é consumida pelas bactérias, e menos carboidratos o produto final terá.

Segue abaixo a quantidade de carboidratos presente em dos produtos lácteos mais comuns no Brasil hoje.

Laticínios baixíssimos em carboidratos (0g a 3g em 100g)

Manteiga e manteiga ghee.

A manteiga “comum” é obtida da gordura do leite, e contém apenas alguns vestígios de lactose e proteína do soro.

Enquanto isso, a manteiga ghee, também conhecida como manteiga clarificada, tem toda lactose e proteína do soro do leite removidos.

A manteiga comum tem apenas 0,1g de carboidratos e 0,1g de proteína a cada 100 gramas.

Já a manteiga ghee é 100% livre de carboidratos.

Eu ensino você a fazer a sua própria manteiga ghee em casa no vídeo abaixo:

ps: para pessoas que não têm forte intolerância a lactose ou a proteína do soro do leite, a manteiga ghee acaba não tendo benefícios extras quando comparada à tradicional.

Afinal, 0,1g de lactose em 100g é uma quantidade de carboidratos desprezível em qualquer dieta.

Queijos Macios Curados

Brie, camembert e queijos curados macios no geral, semelhantes a esses, estão entre os mais pobres em carboidratos de todos os queijos.

Geralmente, eles têm apenas 0,5 grama de carboidrato a cada 100 gramas.

Queijos duros e envelhecidos

Ricos em sabor, queijos duros como cheddar inglês (o verdadeiro), suíço e provolone contêm bem pouca lactose.

Eles são extremamente amigos de dietas com baixo teor de carboidratos.

No geral, a maioria destes queijos fornece cerca de 1 grama de carboidrato a cada 100 gramas.

Queijos Semimoles

Os queijos semimoles, como:

  • mussarela,
  • reino,
  • prato,
  • gorgonzola,
  • queijo azul,
  • minas (não frescal), e
  • gouda

são versáteis, baratos e amplamente disponíveis no Brasil.

São ótimas opções para rechear pizzas e quiches, por exemplo.

Eles têm um pouquinho mais de carboidratos do que a maioria dos queijos duros, chegando a cerca de 3 gramas a cada 100 gramas de queijo.

Iogurtes

Se você adora iogurte, o iogurte grego puro é de longe a melhor escolha.

Ele tem menos carboidratos e é mais espesso do que outros tipos de iogurte.

Isso ocorre porque mais do soro do leite (que contém proteína e lactose, o açúcar do leite) foi coado durante o processamento.

Embora a contagem de carboidratos varie ligeiramente entre as diferentes marcas, o iogurte grego verdadeiro tem cerca de 3 gramas de carboidratos em cada 100 gramas (um pouco menos de ½ xícara).

Nata e Creme de Leite

Tanto a nata quanto o creme de leite são obtidos a partir da retirada da gordura do topo do leite, quando ele está fervendo.

Esses lácteos são ingredientes que comumente vemos sendo usados em receitas de doces low carb, por exemplo.

Embora sejam muito mais baixos em carboidratos do que o leite, a nata e o creme de leite não são alimentos completamente “zero carboidratos”.

A nata contém cerca de 2 gramas de carboidratos a cada 100 gramas (cerca de 0,3 gramas por colher de sopa).

Já os cremes de leite variam entre si.

O creme de leite fresco é o que menos tem carboidratos, cerca de 3g de carboidratos a cada 100g.

Já o creme de leite em lata é o intermediário, apresentando em sua maioria 4g de carboidratos a cada 100g.

Por último, temos o creme de leite de caixinha, que além de ser o mais aguado, é também o mais rico em carboidratos.

Algumas marcas chegam a atingir 8g de carboidratos em 100g de creme de leite.

Laticínios moderados em carboidratos (4g a 7g em 100g)

Queijos Feta e Parmesão

Embora tenham um pouco mais de carboidratos do que outros queijos, o queijo feta e o parmesão ainda são boas opções para a dieta low carb ou cetogênica.

Ambos contêm cerca de 4 gramas de carboidratos a cada 100 gramas de queijo.

Queijo Cottage

O queijo cottage é feito pela adição de bactérias ácidas ao leite.

Isso faz com que a caseína “coalhe”, criando a coalhada, que se separa do soro de leite.

Essa coalhada dá ao queijo cottage sua aparência irregular.

Ele contém cerca de 4 gramas de carboidratos a cada 100 gramas (aproximadamente ½ xícara).

Vale dizer também que o queijo cottage é uma excelente fonte de proteína.

Ele fornece cerca de 24,5g de proteínas completas a cada 100g.

Essa é uma quantidade de proteínas bem significativa, parecida com a quantidade de proteínas presente em várias carnes, por exemplo.

Podemos ver que o queijo cottage é alimento interessante para fazer parte de um cardápio low carb de qualidade, principalmente para ovolactovegetarianos.

Para receitas low carb vegetarianas, veja essa página.

Sour Cream (Creme Azedo)

O sour cream, também conhecido por creme azedo ou natas azedas (em Portugal), é um item comum principalmente na culinária mexicana.

Ele consiste na adição de bactérias de ácido láctico ao creme, resultando em uma espécie de creme de leite mais grosso, com sabor agradavelmente ácido.

O sour cream fornece 4 gramas de carboidratos a cada 100 gramas.

Iogurte Natural

Como o iogurte grego, o iogurte natural é feito com bactérias que transformam, por meio da fermentação, a maior parte da lactose do leite em ácido láctico.

A contagem exata de carboidratos líquidos presentes no iogurte natural varia de acordo com o fabricante

E agora preste atenção.

Ao ler os rótulos dos iogurtes naturais mais comuns do supermercado, veremos uma grande quantidade de carboidratos presentes nele.

Cerca de 8g a 10g por pote.

Porém, esse número é superestimado.

Na verdade, aqui no Brasil, a tabela nutricional dos alimentos é feita de acordo com os ingredientes em seu estado inicial.

Ou seja, ignorando o importante processo de fermentação.

Dessa maneira, o leite usado como matéria prima para o iogurte possui 6g de carboidratos a cada 100g.

E é mais ou menos isso que vai estar escrito nos rótulos dos iogurtes naturais — neles, está retratada a quantidade de carboidratos do iogurte como se ela fosse igual ao do leite puro.

O que não é correto. 

Quando o leite é fermentado para virar iogurte uma parte significativa de sua lactose é transformada em ácido lático.

Inclusive, é esse ácido que dá o sabor “azedinho” ao iogurte.

Desta forma, é impossível saber com precisão quanto carboidrato há em 100g de iogurte.

Podemos estimar que esse número gira em torno de 3g a 5g.

Kefir

De sabor semelhante ao iogurte, o kefir é uma bebida espessa e densa.

Inclusive, eu já tenho um outro post aqui no blog onde falo o que é e como cultivar o kefir.

O kefir é obtido a partir da fermentação do leite por uma associação de lactobacilos, leveduras e bifidobactérias.

Tal associação de organismos fermenta a lactose do leite, produzindo ácido láctico, etanol e dióxido de carbono.

Resumidamente, o iogurte de kefir, após fermentação de 48h, contém cerca de 3g de carboidratos por copo.

Mas quanto mais tempo durar essa fermentação, menos lactose residual restará.

Descubra tudo sobre o kefir aqui.

Queijo Ricota

A ricota era tradicionalmente feita com o soro líquido do leite, restante da produção de queijo duro.

Hoje em dia, porém, a ricota é feita com leite integral fresco e vinagre.

A ricota tradicional contém de 4 a 7 gramas de carboidratos a cada 100 gramas (aproximadamente ½ xícara).

Essa quantidade pode variar de marca para marca, e as versões light normalmente possuem mais carboidratos.

Cream Cheese

O cream cheese fornece cerca de 5 a 7 gramas de carboidratos a cada 100 gramas.

Ele é feito adicionando bactérias fermentadoras benéficas a uma combinação de leite e creme de leite.

Em seguida, essa mistura é aquecida, produzindo o cream cheese, com todo o seu sabor e a sua textura rica e cremosa.

Laticínios bem altos em carboidratos (12-25 gramas em 100g)

Leite

Embora as quantidades de gordura sejam diferentes de acordo com o “tipo” do leite, as contagens de carboidratos são as mesmas.

Então, tanto o leite integral, quanto o leite semi-desnatado e o leite desnatado contém 10 gramas de carboidratos por xícara de 200ml.

Leitelho

O leitelho é uma bebida que se obtém do batimento da nata em manteiga.

Ele é tradicionalmente consumido em regiões quentes do mundo, como nos Balcãs, no sul da Ásia e sul dos Estados Unidos.

Apesar do nome, o leitelho é, na verdade, muito pobre em gordura – e rico em carboidratos.

Ele contém os mesmos 10 gramas de carboidratos por xícara que outros tipos de leite.

Iogurtes adoçados e/ou com sabor 

Sem novidades por aqui.

Iogurtes adoçados são muito ricos em carboidratos: normalmente mais de 20 gramas de açúcar por copo.

Iogurtes Light

Embora sejam comercializados para consumidores teoricamente preocupados com a saúde, os iogurtes light normalmente contêm grande adição de açúcar.

Ser “light” refere-se ao fato de esses iogurtes serem livres de gordura, e não livres de carboidratos e açúcares.

Certifique-se de ler os rótulos.

Algumas marcas de iogurte “light” contêm 18 ou mais gramas de carboidratos por embalagem.

Quais são os benefícios de consumir queijos e laticínios?

Existem muitas razões para incluir os laticínios no seu estilo de vida saudável.

Muitos laticínios com baixo teor de carboidratos são ricos em proteínas

Consumir boas quantidades de proteínas é fundamental para ter uma saúde.

As proteínas ajudam na saciedade e podem aumentar a nossa taxa metabólica, tornando mais fácil alcançar e manter o emagrecimento.

Além disso, dietas com alto teor de proteína e laticínios são promissoras para perder gordura e ganhar massa muscular.

A maioria dos queijos duros e macios são ricos em proteínas, contendo cerca de 18 a 25 gramas de proteínas a cada 100 gramas.

E qual queijo tem mais proteína?

Essa honra vai para o parmesão, que contém impressionantes 35 gramas de proteína a cada 100 gramas de queijo.

O iogurte grego também é bastante rico em proteínas, com muitas marcas fornecendo de 15 a 18 gramas de proteína por pote.

Além, claro, do cottage, já citado anteriormente como ótima fonte de proteínas.

Os laticínios fornecem vitaminas e minerais importantes

O queijo e o iogurte são ricos em vários nutrientes essenciais, incluindo:

  • vitamina A,
  • vitamina K2,
  • vitaminas B6,
  • vitamina B12, e
  • zinco.

E apesar do leite em si não ser uma boa fonte de cálcio, os produtos lácteos fermentados tendem a ser uma fonte superior desse mineral quando comparados ao leite puro.

Os queijos duros são os que mais contém cálcio.

O parmesão, por exemplo, fornece cerca de 1.000 mg de cálcio a cada 100g (e vai muito bem com um vinho seco).

Já os queijos suíço e cheddar inglês estão logo atrás, fornecendo 720 a 790 mg de cálcio a cada 100 gramas, respectivamente.

No entanto, todos os tipos de queijo e iogurte também fornecem quantidades decentes deste importante mineral.

Lembrando que também é possível obter cálcio de alimentos não lácteos, como dos vegetais folhosos e escuros.

O consumo de laticínios é associado à boa saúde e longevidade

Nas últimas décadas, fomos aconselhados a limitar nossa ingestão de manteiga, creme de leite e queijo.

Esse aconselhamento foi baseado no fato desses alimentos terem alto teor de gorduras saturadas, o que, teoricamente, poderia aumentar o risco de doenças cardíacas.

No entanto, de acordo com várias pesquisas recentes e com alto grau de evidência científica, essa recomendação se provou amplamente errada.

Na verdade, laticínios fermentados com alto teor de gordura, como queijo e iogurte integral, são apontados por estudos como benéficos para a saúde do coração, diminuindo o risco de doenças cardiovasculares.

Os laticínios integrais também fornecem ácido linoléico conjugado, uma gordura natural que algumas pesquisas sugerem que pode ter um ótimo efeito protetor para a saúde do coração.

No entanto, mais estudos são necessários para confirmar essa associação positiva.

Falando em ciência, essa revisão sistemática de 52 ensaios clínicos em 2017 ainda concluiu que o consumo de produtos lácteos pode ajudar a reduzir os marcadores inflamatórios em pessoas com doenças metabólicas, como diabetes e obesidade.

Uma outra revisão sistemática semelhante de 2020 confirmou esses benefícios.

Os laticínios são saborosos

Não há como negar que muitos alimentos lácteos são deliciosos e podem até ajudar outros alimentos a terem um sabor melhor.

Por exemplo, cobrir vegetais ou um bife de filé de frango com manteiga ou um molho de queijo pode fazer uma diferença enorme no paladar e no sabor de sua marmita.

Assim como passar queijo cottage na sua torrada cream cracker low carb.

Como o Dr. Bret Scher gosta de dizer: “Qualquer pessoa que não gosta de brócolis ou espinafre, na minha opinião, provavelmente não os cozinhou adequadamente na manteiga”.

Além de saboroso, o queijo também pode ser muito saciante.

Em um interessante ensaio clínico randomizado (um tipo de estudo científico com alta confiabilidade) feito para medir a saciedade proporcionada por alimentos de origem láctea, o queijo reduziu a fome e desencadeou boa liberação dos “hormônios de saciedade”.

No entanto, um outro estudo descobriu que, em dietas ricas em carboidratos, o consumo de laticínios não ajuda a diminuir a ingestão calórica ao final do dia.

Isso sugere que o consumo de laticínios gordurosos traz mais benefícios de saciedade e emagrecimento para pessoas que seguem dietas low carb.

Existem malefícios em consumir queijos e laticínios? 

Alguns produtos lácteos podem aumentar os níveis de insulina

Dos três macronutrientes existentes:

  • proteínas,
  • carboidratos, e
  • gordura

Os carboidratos são, de longe, os que mais aumentam os níveis de açúcar no sangue.

E quando o açúcar no sangue sobe, o pâncreas libera um hormônio chamado insulina.

Como a lactose (açúcar do leite) se transforma em glicose durante a digestão, o consumo de laticínios com alto teor de lactose aumenta os níveis de açúcar no sangue e de insulina.

Portanto, se seus objetivos incluem manter os níveis de insulina baixos, provavelmente é melhor evitar leite, iogurtes adoçados e outros tipos de laticínios com alto teor de lactose.

No entanto, alguns laticínios baixos em carboidratos, como o queijo, também aumentam um pouco os níveis de insulina.

Eles são o que podemos chamar de “insulinogênicos”.

Neste caso, não são os carboidratos, mas as proteínas do leite que causam o aumento da insulina.

E por que isso acontece?

Durante a digestão, a proteína é quebrada em aminoácidos individuais, que são levados para a corrente sanguínea.

Para ajudar os aminoácidos a entrarem nos músculos, o pâncreas libera a insulina.

Na verdade, isso acontece com todos os alimentos proteicos, embora em maior medida com alguns do que com outros.

Esse é o caso dos laticínios e dos suplementos de proteína isolada do leite, como o whey protein, por exemplo.

No entanto, vale dizer que essas proteínas aumentam a insulina muito menos do que alimentos ricos em carboidratos.

Além disso, a proteína do soro do leite (whey protein) é absorvida mais rapidamente do que a caseína.

Portanto, consumir produtos lácteos contendo soro de leite, ou então suplementar whey protein, pode aumentar os níveis de insulina no sangue mais rapidamente do que produtos lácteos fermentados que não contêm soro de leite.

Agora você talvez esteja pensando:

Manteiga e creme de leite também elevam a insulina?

Esses dois itens possuem muito pouca proteína, e possuem efeito mínimo sobre os níveis de insulina.

Para concluir, antes de começar a temer as proteínas da dieta, é importante ter algo em mente.

Aumentos pequenos e temporários na insulina após ingerir proteínas são normais, e não têm as mesmas implicações negativas para a saúde que os níveis cronicamente elevados de insulina, resultantes de um alto consumo de carboidratos.

Os laticínios podem ativar a compulsão alimentar

Embora os laticínios sejam frequentemente considerados alimentos que causam saciedade, algumas pessoas acham que comê-los pode despertar uma certa compulsão.

Um pedaço de queijo leva a outro, depois outro.

Para alguns, é quase impossível parar de comê-los.

Isso normalmente acontece com uma minoria de pessoas – e não há muitas pesquisas de alta qualidade sobre o tema.

E embora a ciência seja inconclusiva, a experiência prática mostra que, para alguns, os laticínios podem sim desencadear o desejo de continuar comendo mais e efetivamente contornar os sinais de fome.

Então, nesse caso, é importante ter bom senso e autoconhecimento para evitar crises e exageros que possam atrapalhar o emagrecimento.

Muitos laticínios podem causar dificuldades na perda de peso

Queijo, creme e iogurte integral são muito saborosos – isso é um fato.

Infelizmente, o lado ruim de ser tão delicioso é que eles podem ser muito fáceis de consumir em excesso, compulsivamente.

Inclusive, diminuir os queijos é uma das 12 estratégias matadoras para perder peso que eu elenquei aqui.

Embora baixos em carboidratos, comer muito deles pode potencialmente causar dificuldades na perda de peso.

Isso ocorre tanto por um excesso de calorias, quanto por um excesso de carboidratos (ou por uma combinação de ambos).

Apesar disso, não há uma quantidade máxima no consumo de laticínios que seja genérica para todas as pessoas.

Inclusive, para alguns indivíduos, eliminá-los completamente da dieta pode ser necessário para obter o emagrecimento desejado. 

Os laticínios podem piorar a acne e outros problemas de pele

Os laticínios podem causar ou piorar a acne?

Em algumas pessoas, sim.

Foi demonstrado que os laticínios aumentam os níveis do fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1), um hormônio que aumenta a produção de “sebo” na pele e que desempenha um grande papel na formação da acne.

Estudos observacionais em crianças, adolescentes e adultos jovens sugerem que todos os tipos de laticínios, incluindo queijo e iogurte, podem ser problemáticos para aqueles que lutam contra a acne.

Algumas pessoas podem ser bastante sensíveis aos laticínios

Em certos indivíduos, os laticínios podem causar problemas digestivos ou outros sintomas.

O problema mais comum relacionado aos laticínios é a intolerância à lactose, que ocorre em pessoas que não produzem naturalmente a enzima lactase.

Sem esta enzima, a lactose não pode ser digerida e absorvida adequadamente.

Em vez disso, a lactose passa para o cólon do intestino, causando:

  • dor abdominal,
  • distensão abdominal,
  • gases,
  • náuseas, e/ou
  • fezes amolecidas.

A intolerância à lactose é bastante comum, e acredita-se que ela afete até dois terços das pessoas de todo o mundo.

Uma informação curiosa é o fato dela ser menos comum em pessoas do norte da europa e bastante comum em populações do Oriente Médio e em seus descendentes.

A intolerância à lactose apresenta alguns “níveis”.

Por exemplo, pessoas com baixa intolerância à lactose geralmente toleram sem problemas laticínios com baixo teor de lactose, como queijo ou iogurte.

Porém, sofrem ao consumir produtos mais ricos em lactose, como é o caso do leite.

Há também casos de pessoas que são sensíveis até mesmo a pequenas quantidades de lactose, e devem evitar todo o tipo de laticínio com resquícios desse carboidrato.

Existem também alergias à uma ou mais proteínas do leite.

Pessoas com essas alergias, ao consumirem produtos lácteos, podem apresentar sintomas como:

  • urticária,
  • distúrbios digestivos,
  • vômitos, e
  • anafilaxia.

Há algumas evidências de que certos indivíduos podem ser sensíveis à beta caseína A1, o tipo mais comum de proteína encontrada no leite de vaca, que pode levar a sintomas digestivos semelhantes aos da intolerância à lactose.

Os laticínios de ovelha e cabra, bem como de vacas que produzem leite de beta caseína A2, podem ser mais fáceis de digerir para essas pessoas.

No entanto, este tópico ainda requer estudos mais profundos.

Para Resumir: Consumir Queijos e Laticínios ou Não?

Como acontece com muitos alimentos, a resposta ao consumo de laticínios é: depende.

A maioria das pessoas pode incluir queijo, manteiga, iogurte grego e outros laticínios com baixo teor de carboidratos em uma dieta low carb ou cetogênica sem quaisquer problemas.

E há uma grande variedade de laticínios para saborear e desfrutar.

Se você tem alergia ao leite, obviamente deve evitar consumir laticínios.

Porém, se você é levemente intolerante à lactose, provavelmente poderá saborear pequenas quantidades de queijo, manteiga e outros laticínios com baixo teor de lactose.

Além disso, um teste com os laticínios também pode ser uma boa ideia para a maioria das pessoas.

Se você acha que os laticínios desencadeiam compulsões ou causam problemas de saúde, não consumi-los por cerca de três ou quatro semanas pode fazer você perceber (ou não) algumas melhoras.

Durante esse intervalo você pode desfrutar de substitutos não lácteos do leite para o café.

Aqui é outro lugar onde você encontra várias receitas deliciosas sem laticínios.

Se você quer perder peso, mas não quer eliminar completamente os queijos, tente limitar a alguns gramas por dia.

E lembre-se que ele não deve ser a base da dieta low carb.

Com um pouco de experiência, você logo descobrirá quais tipos e quantidades de laticínios são mais adequados para seu estilo de vida baixo em carboidratos de modo a seguir tendo resultados.

Concluindo

Neste texto nós vimos quais são os melhores e piores laticínios no contexto de uma alimentação baixa em carboidratos.

Abordamos também quais os benefícios e malefícios em incluí-los no nosso estilo de vida low carb.

Para finalizar, o conhecimento básico que fica é que os queijos são alimentos que algumas pessoas podem consumir normalmente, enquanto que outras pessoas se beneficiam muito de não consumi-los.

A única pessoa que pode decidir se os queijos servem ou não para você, é você mesmo(a).

Eu pessoalmente incluo bastantes queijos no meu cardápio low carb semanal.

Se você quer mais opções para montar o seu cardápio low carb, eu recomendo que veja essa página, onde eu estruturei 28 dias de alimentação low carb variada.

>>> Quero um cardápio para 28 dias low carb.

Espero que tenha gostado da leitura. Nos vemos em breve!

Abraços –

Pedro Camargo.